27/08/2008

Manuel José Carvalho

Fonte: Eduardo Fanganiello. Portal Terra de Mauá - http://www.arroiogrande.com/

Agradecimento especial a André Soares Floor,Webmaster do Portal Terra de Mauá.


Manuel José Carvalho
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Barão de Mauá


Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, era sobrinho de Manuel José Carvalho, padrinho e seu tutor, cujo conhecimento de seus primeiros passos não chegou até nós: abandonou sua cidade natal, radicando-se no estado de São Paulo. Manoel, nasceu em Arroio Grande, nas proximidades de Lagoa Mirim, no Rio Grande do Sul, em 1802 e faleceu em Rio Claro em 1 de novembro de 1875, com 73 anos de idade. Foi agrimensor, juiz de paz, primeiro Presidente da Câmara de Limeira, vereador de Rio Claro e fundador do Grêmio Republicano.


O Tio do Barão
MANOEL JOSÉ DE CARVALHO

Manoel José de Carvalho nasceu em Arroio Grande, nas proximidades de Lagoa Mirim, no Rio Grande do Sul, em 1802 e faleceu em Rio Claro em 1 de novembro de 1875, com 73 anos de idade. Era filho de José Baptista de Carvalho, nascido nos Açores, que viera para o Brasil em 1792 e se radicar na província do Rio Grande do Sul e de Isabel de Carvalho, de origem holandesa. Há registro de dois irmãos seus, José Batista de Carvalho, capitão de navio, que alguns supõe ser o próprio Manoel José, Mariana de Jesus Batista de Carvalho, nascida em 16 de setembro de 1795, e falecida aos 2 de outubro de 1877 no Rio de Janeiro, mãe do Visconde de Mauá.
O patriarca abandonou sua terra natal, já superpovoada, para tentar a sorte numa sesmaria de 4 mil hectares entre os arroios Grande e Chasqueiro, no Rio Grande do Sul, que lhe fora doado pelo Governo Português. Teve sorte, pois as terras eram bem localizadas; ficavam a quase 500 km da última cidade espanhola de importância, que era Montevidéu e a 200 km da última guarnição portuguesa. Esse isolamento contribuiu para o seu sucesso. Conseguiu ficar sem ser perturbado pelos índios, pelos espanhóis e pelos soldados inimigos. Durante seis anos, viveu isolado, apenas com a família, juntando gado e organizando sua fazenda. Só teve companhia, quando outro açoriano, Manoel Jerônimo de Sousa, em 1798, recebeu a sesmaria vizinha. Este, se adaptou mais facilmente, pois, aprendeu com o pioneiro, as boas regras de sobrevivência.
José Baptista de Carvalho lhe ensinou, pela lei prática da região que, se quisessem ter paz, deveriam fornecer tabaco e bebida, pois esses produtos eram de circulação livre em terras portuguesas, mas, proibidos para os espanhóis. Com isso, um ciclo de comércio se estabeleceu: os nativos e os espanhóis levavam gado para as estâncias e traziam tabaco e bebida. Não era exatamente um bom negócio, mas deixava os fazendeiros em paz. Com as terras se prestavam, também, à agricultura, em pouco tempo, surgiram as plantações de trigo e cebola, acelerando o comércio local. A leva de interessados não parava de crescer. Duas vilas começaram a ser formadas: Arroio Grande e Cerrito.
Em 1810, Mariana de Jesus Batista de Carvalho, filha de José Baptista de Carvalho, casou-se com João Evangelista de Sousa. O casal foi morar numa sesmaria a 10 km da já existente vila de Arroio Grande, doada pelos pais do noivo. João Evangelista construiu uma casa de 8 metros de comprimento, por 4 metros de largura, com piso, de terra batida e o teto, de sapé. A cozinha ficava fora, embaixo de uma cobertura. A casa servia de habitação e armazém; uma mesa com bancos de madeira, canastras de couro, potes de água, vasilhas de cerâmica, arreios, ferramentas de lavoura e uma cama tosca: - quatro estacas, fincadas no chão e um couro de boi esticado entre elas. Nessa casa humilde nasceu em 28 de dezembro de 1813, o segundo filho do casal, o celebérrimo Irineu Evangelista de Sousa, “Visconde de Mauá”! Que contraste entre essa habitação tão humilde e o palacete, vizinho ao palácio Real, onde Mauá viveu a maior parte de sua vida! Mauá não era homem de seu tempo. estava mil anos à frente de seus contemporâneos! Outro filho de José Baptista de Carvalho, Manoel José de Carvalho, tio, padrinho e tutor de Mauá, cujo conhecimento de seus primeiros passos não chegou até nós, abandonou sua cidade natal, radicando-se no estado de São Paulo.
A estada de Mauá é controversa dadas a ausência de informações por parte de seus historiadores da existência de Manoel José de Carvalho os relatos de nossos familiares testemunham que Mauá recebeu seus primeiros ensinamentos em internato da capital paulistana, sob a tutela de seu tio. Esta, se desde a época sempre bem conhecida na região de Limeira e Rio Claro, não era no País ou, nos dizeres de, Alberto de Faria: “(...) de sua família - além do capitão de barco, não há memória de outras pessoas.” na sua clareza de historiador transcreve as informações que detinha.
Homem honrado e meticuloso era sempre procurado para resolver questões de terra, tanto amigáveis como judiciais.
Convocado pela Câmara, em 1858, procedeu ao levantamento de área de 32 alqueires doados em 1828, por Manoel Paes de Arruda para o Patrimônio da futura cidade de Rio Claro, Demarcou também, em 1874, os terrenos doados pelo Barão de Piracicaba para o mesmo fim. Prestou, graciosamente, sem nenhuma remuneração em dinheiro ou espécie. Foi em 6 de janeiro de 1872 um dos fundadores do Grêmio Republicano, onde se propugnava pela implantação da República e que, depois se transformou no famoso Partido Republicano, de cuja diretoria fez parte. Em 1875, foi novamente chamado pela Municipalidade para demarcar e alinhar o novo cemitério. por fatalidade, faleceu aos 73 anos em sua residência na rua Aurora.
Com a sua primeira esposa, Manoel José de Carvalho teve cinco filhos conforme consta de sua certidão de óbito: Hercina, Maria, Anna, José Baptista, e João Baptista. Com a sua segunda esposa Manoel José de Carvalho teve cinco filhos: Maria Amélia de Carvalho, Irineu Evangelista de Carvalho, nasceu em 28 de março de 1854 e faleceu em 18 de agosto de 1907. Foi casado com Alice Torres de Carvalho, Ana Angélica de Carvalho Guimarães, Nasceu em rio Claro em 22 de outubro de 1866 e faleceu nessa mesma cidade, em 28 de maio de 1915. Casou-se em primeiras núpcias com João José Fernandes, natural de Braga, Portugal, falecido em Rio Claro, Em segunda núpcias casou-se com Coronel Antônio de Oliveira Guimarães, Matilde de Carvalho, solteira. Na certidão de óbito de Manoel José de Carvalho não se encontra menção a Matilde, e Affonso, cujo nome encontra-se na certidão de óbito de Manoel José de Carvalho e não se tem notícia.

CARREIRA POLÍTICA

Temos, contudo, informações precisas, a partir de 1842, quando passou a residir em Limeira. Nesse ano, aos 16 outubro foi eleito o mais votado escrutinador eleitoral dessa vila: em 1843, foi eleito 1o suplente de Juiz de Paz, assinando, juntamente com o Juiz titular comunicado ao povo de Limeira demonstrando sua simpatia pelos revolucionários de 1842; em 22 de julho de 1844, eleito como vereador mais votado da 1a Câmara da então cidade de Limeira, toma posse como seu Presidente, prestando juramento perante a Câmara de Piracicaba; deferiu o juramento e deu posse aos demais vereadores.
Em 1845, foi reeleito vereador. Aos 27 de outubro deste mesmo ano, como presidente da Câmara de Limeira empossa o Presidente da recém criada Câmara de Rio Claro, formalizando a emancipação daquela cidade. Encaminha diversos ofícios ao Presidente da Província com consta nos registro do Arquivo do Estado e, “Em outubro de 1846, a vila e o município de Limeira foram infestados de perigosos desordeiros, ladrões e facínoras. A população da vila ficou apavorada com o ambiente ameaçador criado por fatos inomináveis”, (...), E “O pacífico e já velho Bento Manoel de Barros, que sempre servira abnegadamente em diferentes cargos públicos — juiz de paz, inspetor das estradas e delegado de polícia — sentindo-se doente e desanimado, solicitou em 18 de outubro desse ano, encarecidamente, ao Governo da Província sua exoneração dos cargos de delegado de polícia e 3º suplente de juiz de paz. Em vista da gravidade do momento, o juiz de paz suplente em exercício Manoel José de Carvalho” solicita apoio de tropas; aos 20 de outubro de 1846, restabelecendo a normalidade.
Nas eleições de 1849 situa-se na oposição. Como Inspetor de Estradas promove o conserto das pontes sobre os rios Atibaia e Jaguari, a de balsas e “a ponte sobre o rio Piracicaba feita no segundo semestre de 1849 desviou a estrada definitiva¬mente para passar abaixo da junção dos rios Jaguari e Atibaia, onde até hoje ela persiste, reconstruída muitos anos mais tarde por pilares de concreto” como observa Busch.
Em 1854, figurava como proprietário rural nessa cidade, onde se casou, em segundas núpcias, com Ana Franco de Carvalho, natural de Mogi Mirim, que residia nessa cidade. Em 1856 mudou-se para Rio Claro, onde durante o resto de sua vida prestou relevantes serviços à população e à Municipalidade. Foi eleito vereador nessa cidade, de 1861 a 1864, onde combate a política monarquista dominante.



Barão de Mauá em 1885, aos 72 anos de idade.


Um comentário:

Irineu de Carvalho Filho disse...

Muito interessante. Eu sou trisneto do Manoel Jose de Carvalho, filho do Irineu Evangelista de Carvalho, neto do Moacyr Torres de Carvalho, bisneto do Ireneo de Carvalho.

Irineu Evangelista de Carvalho Filho