25/08/2009

Brasil - Copas do mundo

BRASIL CAMPEÃO - 1958

29 junho de 2008 comemorou o cinqüentenário do primeiro título mundial. Lembrei que, nesse dia, também estava fazendo 50 anos que pela primeira vez ouvi uma partida de futebol pelo rádio. Sentei diante do computador e sem querer saiu o texto abaixo, logo após os áudios. Só uma comparação entre o ontem e hoje. Apenas uma opinião pessoal, se alguém ler pode pensar completamente diferente.

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Em 1958 eu tinha apenas cinco anos de idade e me lembro como se fosse ontem. Acordei com o barulho de vizinhos chegando, alguns deles trazendo suas cadeiras. Um enorme móvel, uma rádio vitrola, que havia em casa não estava na sala, seu lugar de origem, mas sim, na varanda do quintal. No fio da antena que saia de trás do rádio meu pai havia amarrado outro pedaço de fio que ia do aparelho até o varal feito com arame, onde minha mãe pendurava a roupa para secar.
Era a final da copa do mundo e a vizinhança havia combinado de se reunir para ouvir a transmissão. Não entendia o porquê daquilo, só sei que todos posicionaram suas cadeiras de frente para o rádio e estavam extasiados, com os olhares fixos naquele aparelho, como se ele tivesse imagem. Pareciam estar assistindo literalmente ao jogo. O som era terrível, muito ruído, as ondas oscilavam fazendo com que a voz do locutor ficasse inaudível muitas vezes. Não era permitido fazer o menor barulho, todos tinham que ficar num silêncio absoluto para ouvir atentamente apenas o som que vinha do rádio. Esse silêncio só era quebrado com os gritos de gol. Encerrada a partida, foi uma festa. Ninguém conseguia conter a alegria, BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO. A partir desse dia nasceram duas paixões em minha vida: futebol e ouvir rádio. Dali em diante não perdia uma transmissão, não importava quais times estivessem jogando. Programas esportivos ouvia a tantos quanto fosse possível.
Com seis anos já sabia ler, lia cada palavra das páginas de esporte, tanto da Folha quanto do Estado de São Paulo. Eram os dois jornais aos quais eu tinha acesso e lia-os na casa de meu tio, que foi um grande jornalista na minha cidade e correspondente da Folha de São Paulo. Agüentei inúmeras broncas por recortar os jornais antes que ele tivesse lido. Qualquer foto de jogador eu passava a tesoura para colar em meu brinquedo predileto, meu jogo de botões, que foi minha maior diversão da infância à adolescência.
Já na copa de 1962, ficava ansioso aguardando o momento de assistir aos tapes pela TV Tupi, quarenta e oito horas após cada partida, narração do grande locutor Walter Abraão, com patrocínio da Decave Wemag. Logo depois, começaram as transmissões ao vivo pela TV. Eu sabia na ponta da língua a escalação de todos os times, desde meu Santos de Pelé e Cia até os clubes do interior como Prudentina, Esportiva de Guaratinguetá, Taubaté, Ferroviária de Araraquara, Jabaquara e tantos outros. Vi grandes jogadores e tinha meus ídolos, independente dos clubes que defendiam. Como era gostoso ver a categoria de Djalma Santos, os dribles de Garrincha, a classe de Mauro Ramos de Oliveira, a majestade de Pelé, a elegância de Ademir da Guia. Eram tantos craques que fica impossível escrever o nome de todos. Muitas vezes, conversando com os mais jovens, costumo dizer que se todos os jogadores tivessem em campo a classe e a elegância de um Ademir da Guia, o futebol teria que ser jogado de terno e gravata.
Naquele tempo o enfoque dado pela imprensa ao noticiário esportivo era completamente diferente de hoje. Não se tocava no assunto salário ou renovação de contrato. Jamais li uma notícia de que Pelé e outros grandes jogadores daquele tempo estariam discutindo salário ou estivessem sem contrato porque não teriam chegado a um acordo com a diretoria. Era pouco dinheiro e muito amor à camisa, além de uma grande identificação com o Clube. Mudança de time então era uma coisa rara. Quando muito eram jogadores que saíam de clubes do interior para os grandes da capital e, assim mesmo, muitos que hoje jogariam em qualquer time do Brasil jamais saíram do interior que era um grande celeiro de craques.
A relação dos jogadores com a imprensa é outro fato para se ressaltar. Repórteres não eram cerceados em seu direito de trabalhar e submetidos a entrevistar qualquer perna de pau em coletivas; eram atendidos por todos de forma individual. A atenção dada pelos jogadores aos repórteres era tamanha que, inúmeras vezes, vi meus ídolos no gramado da Vila Belmiro, com toda simplicidade, respondendo às perguntas do Zé Macaco com sua latinha imitando um microfone.
Convocação de seleção brasileira era uma expectativa enorme. Muitos mereciam ser convocados, mas ficavam de fora e sequer reclamavam, pois havia consciência que os convocados eram tão craques quanto eles e não caberiam todos em uma só seleção.
O que escrevi até agora foi só para comparar com os tempos atuais, quanta diferença! A tática roubou a arte e jogadores viraram robôs. A preocupação em defender ficou acima do objetivo maior de um jogo que é fazer gols. Até um dos técnicos que passou pela nossa seleção disse, em uma entrevista, que o gol é só um detalhe. Extinguiram os pontas e o 4-2-4 virou 4-3-3, depois 4-4-2, que são usados atualmente só pelos técnicos mais audaciosos. Já os mais medrosos preferem esquemas burros com três zagueiros ou três volantes, congestionam a defesa e o meio de campo e deixam um centro avante isolado no ataque, matando assim toda criatividade do jogador brasileiro. Jogadores mudam de clube com a mesma facilidade com que trocam de roupa, não existe amor à camisa e nenhuma identidade com o Clube que defendem. Beijar um distintivo significa tanto quanto beijar uma prostituta.
E por falar em prostitutas, pelo alto custo do futebol atualmente, muitos são os clubes que se prostituem e se entregam ao primeiro empresário que aparece. Pricipalmente os falidos clubes interiranos. A Europa descobriu a América e o futebol virou comércio. Com o fim da lei do passe, atletas passaram de propriedades dos clubes para propriedades de atravessadores, senhorios que vislumbraram uma maneira de ganhar dinheiro e se tornaram empresários. Conhecedores que são das leis e suas fragilidades, além da incompetência de alguns dirigentes, tomam os atletas, muitos ainda nas categorias de base, como reféns e só os libertam depois de um leilão para o clube que pagar o maior resgate. Tudo dentro da lei, nada a contestar.
A CBF virou propriedade de um posseiro e a Seleção Brasileira perdeu o glamour. Jogador não precisa mais ser craque para ser convocado. Nos últimos anos, quantos não estranharam a convocação de atletas desconhecidos ou de qualidade duvidosa, que apareceram na relação apenas em uma ou duas oportunidades? De uns tempos para cá vimos, vestindo a amarelinha, jogadores que em tempos atrás não teriam espaço em grandes clubes, estariam certamente perambulando por clubes do interior. Não posso ser leviano ao ponto de afirmar, mas tenho todo o direito de pensar e, em minha opinião, muitos são convocados atendendo a interesses de clubes, empresários e patrocinadores. Não existe critério técnico e até mesmo quem nunca foi técnico pode sonhar em treinar a seleção. Não ficarei espantado se um dia nossa seleção entrar em campo e no uniforme uma frase: "ALUGA-SE VAGA".
Outra coisa dos tempos atuais é a banalização da palavra craque. Essa palavra perdeu completamente seu significado e, em parte, por culpa da imprensa, no afã de promover o espetáculo, na luta pela audiência e até mesmo pela carência de craques verdadeiros atuando no Brasil. Hoje vemos muitos receberem o rótulo de craque por uma partida apenas, quando não por uma jogada somente.
Até o direito de torcer nos foi roubado e inúmeras são as vezes em que somos obrigados a esconder nosso amor a um clube por medo de sermos agredidos. Acabaram as brincadeiras e gozações sadias entre torcedores e torcer virou sinônimo de guerra. Torcidas organizadas tiraram dos estádios os cidadãos de bem, a violência passou a imperar. Vândalos travestidos de torcedores fazem uso do futebol para formar bandos e extravasar sua ira, covardes que viram machos quando estão em grupo. Até meados dos anos oitenta eu viajava muito e assistia a inúmeros jogos no Maracanã, Mineirão, Morumbi, Pacaembu e, há mais dez anos, por medo da violência, não entro em um estádio. Ainda ouço rádio, não com a mesma assiduidade de antigamente, mas o rádio AM, embora perdendo um pouco de espaço para a internet, ainda é o veículo por onde a informação chega mais rápido, não só no esporte. Quanto à paixão pelo futebol, está acabando, Só ouço ou assisto pela TV aos jogos do Santos e, assim mesmo, pelo amor que tenho e sempre terei pelo Clube e não pelo futebol, que não me encanta mais. Os mais jovens me caçoam e me chamam de saudosista. Sorte a minha, que tenho do que ter saudade, eles jamais verão craques iguais àqueles e nem nos campos do Brasil um futebol jogado com tanta arte e maestria.
Antonio Cesar Mancuso (Dindo) Junho 2008
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Minha irmã Irani apareceu de abelhuda que é, minha única intenção era mostrar o rádio ao qual me refiro no texto acima.
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BRASIL - BI CAMPEÃO 1962
Os áudios abaixo com locução de Waldir Amaral. Não esperem uma narração vibrante como a de Pedro Luiz nos áudios da copa de 1958. Apenas minha opinião. Reelembre o Reporter Esso na voz de Eron Domingues.
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Um comentário:

Anônimo disse...

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