26/08/2009

Meu tio Ribeiro Mancuso

PELA SUA BAIXA ESTATURA E SEU ENORME TALENTO ERA CHAMADO DE:
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“O PEQUENO GIGANTE”
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Foi, se não o melhor, um dos melhores profissionais de imprensa que Rio Claro já teve.
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O TEXTO ABAIXO É DE AUTORIA DE MAURO DE ANDRADE, PUBLICADO NO JORNAL CIDADE DE RIO CLARO. (O autor é professor e escritor)

Filho de tradicional família Itirapinense, iniciou sua vida profissional em Rio Claro na PRF 2 – Rádio Clube. A riqueza de detalhes em suas narrações o fez grande radialista. Criador do Show do meio dia, tão bem apresentado pelo saudoso Armando Luis e, posteriormente, por Sergio Carnevale, que até hoje o mantém com recorde de audiência na região.

No jornal Cidade de Rio Claro foi sucessor de grandes mestres: João de Acantimburgo, José dos Santos Ferro, Pimentel Júnior e Humberto Cartolano. Com a morte deste último assumiu a redação. Aos poucos foi angariando admiração e respeito. Redigia com correção e elegância, revelava fina sensibilidade. Escreveu mais de três mil crônicas publicadas diariamente no jornal Cidade. Apresentadas na Clube por Mauro Martins Coelho, no programa “Fatos e Comentários” às 11h30min e reapresentadas às 22h por Sérgio Carnevale, às vezes por Geraldo Leme.

Lembro-me, com saudades, de quantas vezes ia fazer-lhe companhia na redação do jornal Cidade, localizado no antigo prédio da Companhia Caetano Castelano, na Avenida 4 entre Ruas 2 e 3. Após percorrer alguns labirintos, avistava-o, em sua mesa de trabalho, com mão a testa a fazer correção e a dar forma aos escritos que seriam publicados na manhã seguinte.

Na época, a imprensa se processava com linotipo. Era comum a compositora mecânica apresentar defeito, provida de teclado, mediante a qual se reuniam as matrizes. E os heróis da madrugada amanheciam na redação esforçando-se para que os leitões não se privassem da leitura matinal.

Para ele não existiam sábados, domingos e feriados, dia e noite estava atento a todo instante.

Merecidamente, foi eleito, por duas vezes, melhor jornalista do interior, Mancuso participou também da vida pública, na época o vereador mais votado e mais ativo do nosso legislativo. Seu trabalho estava sempre voltado aos menos favorecidos. Instalações das sedes do José do Patrocínio, Tamoio e Lar Bethel tiveram sua valiosa participação.

Com a reeleição garantida, preferiu afastar-se da vida política para dedicar-se, totalmente, ao jornalismo. Assim o fez até o término da sua vida.

Um dos artistas mais completos que tive o prazer de conhecer.

Afirmava sempre: Notamos a presença da comunicação em tudo que se processa nesse mundo, na evolução do homem, da ciência, enfim, é o veículo principal da Cultura.

Nas raríssimas horas de lazer dedicava=se à pintura. Revelava o expressionismo (Van Gogh e Munch) como admirador dos Modernistas de 22.

Escreveu um romance. Não o publicou. Tive o privilégio de lê-lo. Obra de grande qualidade.

Na música também brilhou, foi o primeiro maestro da banda de Itirapina. Quantas vezes o vimos, juntamente com seu irmão Helio, a tocar nos memoráveis carnavais do Ginástico, ainda no tempo da Arena na esquina da Rua 2 com Avenida 3.

Radialista, jornalista, político, pintor e músico, nele sempre estavam presentes a pureza de espírito e a brandura do coração, poderosas forças que sempre hão de dominar o mundo.

Ninguém registrou tão bem quanto ele a história política de Rio Claro.

Criatura intemerata e justa, tratava a todos com igualdade e respeito.

Faleceu aos 56 anos, em 22 de dezembro de 1976. Rio Claro perdeu uma brilhante pena e o jornalismo, sua maior identidade.
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Notas:
1) Foi vereador atuante na época em que vereadores não recebiam salário, trabalhavam pelo idealismo. Por vontade própria afastou-se da política justamente no ano em que os vereadores começariam a ter remuneração.
2) Um livro escrito por ele está comigo, bem guardado. Segundo sua vontade, o livro era para ser lido apenas por pessoas da família e após sua morte. Deixou claro que o livro não poderia ser publicado. Embora os nomes dos personagens e algumas narrativas sejam fictícias, para os que, como eu, o conheceu, esse livro narra em detalhes fatos de sua vida. Segundo minha mãe, antes de eu nascer ele insistiu varias vezes para que meus pais me dessem o nome de Cesar, lendo o livro acho que entendi.
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Foto acima: Durante a campanha do Brigadeiro Eduardo Gomes, candidato a Presidência da República pela UDN nas eleições de 1950.
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Abaixo o músico Ribeiro Mancuso. O primeiro em pé, com saxofone.

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Rua Ribeiro Mancuso em São Paulo
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Ribeiro Mancuso e sua primeira mulher, Lourdes. Não sei quem é a pessoa ao lado dos dois.
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Talvez o áudio abaixo seja o único arquivo de voz do grande radialista Ribeiro Mancuso, uma vez que, lamentavelmente, a Rádio Clube de Rio Claro não possui um arquivo com áudios antigos. Esse depoimento de Mancuso foi gravado na Rádio Educação e Cultura, para o programa Clube da Penumbra que era levado ao ar por Sydney Barreto.

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Áudio abaixo apenas como registro. Em um dos Natais que Ribeiro Mancuso passou em casa ele ganhou de sua mãe, minha avô D. Nina um gravador. Junto com o gravador uma fita onde ela, já com mais de 80 anos, deixou uma mensagem de voz.

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Se tivesse vivo Ribeiro Mancuso completaria 57 anos em 11/05/1977. No áudio abaixo José Edmundo Silva presta uma homenagem em seu programa Ed Música, antigo programa da Rádio Clube.

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Inauguração da Praça Ribeiro Mancuso no ano de 1977. O áudio abaixo foi gravado ao ar livre com um pequeno gravador. Postei porque em um pequeno trecho tem a voz de meu pai, assim posso matar a saudade de vez em quando.

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No programa “Fatos e comentários”, as crônicas de Ribeiro Mancuso focalizavam fatos ocorridos na época. Abaixo uma de suas crônicas, Não existe arquivo das crônicas na Rádio Clube de Rio Claro, a voz é de Flávio Barbosa, que reproduziu o texto algum tempo depois em seu programa em uma emissora de rádio na cidade de Limeira.

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