27/08/2008

Antônio de Siqueira Campos


Revolta dos 18 do Forte de Copacabana. Da esquerda para direita, tenentes Eduardo Gomes, Siqueira Campos, Nílton Prado e o civil Otávio Correia.


Antônio de Siqueira Campos (Rio Claro, 1898 - 10 de maio de 1930) foi um militar e político brasileiro.


Antônio de Siqueira Campos nasceu em Rio Claro (SP), em 1898.


Militar, concluiu o curso da Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, em 1918. Foi um dos líderes, em julho de 1922, da revolta do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, contra o governo federal, que deu início aos levantes tenentistas que marcaram a década de 20 no Brasil. Nessa ocasião, foi gravemente ferido. No ano seguinte, após deixar a prisão em virtude de um habeas-corpus concedido pelo Supremo Tribunal Militar (STM), exilou-se no Uruguai. Dedicou-se, então, às atividades de comerciante em Montevidéu e, posteriormente, em Buenos Aires.

Em 1924, retornou clandestinamente ao Brasil e retomou as atividades revolucionárias sublevando uma guarnição do Exército em São Borja (RS). Em seguida, juntou-se ao grupo de rebeldes liderados por Luís Carlos Prestes que haviam se levantado contra o governo em outros pontos do interior gaúcho. Derrotados, seguiram para o Paraná, onde se juntaram às forças que haviam sublevado a capital paulista sob o comando do general Isidoro Dias Lopes e pelo major da Força Pública paulista, Miguel Costa. Da junção desses dois agrupamentos, em abril de 1925, surgiu a Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil em campanha contra o governo de Artur Bernardes. A Coluna dividia-se em quatro destacamentos, cabendo a Siqueira Campos o comando de um deles.

Em fevereiro de 1927, após quase dois anos de marcha, os revolucionários resolveram interromper a luta armada e se internaram em território boliviano. Siqueira Campos, em seguida, fixou-se em Buenos Aires, dedicando-se a reagrupar os revolucionários brasileiros exilados na Argentina e no Uruguai. Para solucionar as dificuldades financeiras enfrentadas pelos conspiradores, propôs pedir ajuda à Internacional Comunista, proposta que foi rejeitada pelos demais líderes, inclusive por Prestes. No final da década, realizou algumas viagens clandestinas ao Brasil com o objetivo de aliciar jovens militares para a causa revolucionária.

Em 1929, iniciaram-se os entendimentos entre os militares rebeldes e políticos dissidentes que formaram a Aliança Liberal com o objetivo de impedir que Washington Luís fizesse seu sucessor na presidência da República. Apesar das restrições que fazia a uma aliança com representantes das oligarquias que por anos havia combatido, Siqueira Campos foi designado para preparar um levante na capital paulista. Descoberto pela polícia, foi obrigado a fugir. De volta a Buenos Aires, tentou, em vão, convencer Prestes a apoiar o movimento, ainda que concordasse com várias das restrições que esse fazia aos membros da Aliança Liberal, incluindo o próprio Getúlio Vargas.

Morreu em maio de 1930, antes da revolução ser deflagrada, quando o avião em que retornava ao Brasil caiu nas águas do rio da Prata.
(Fonte FGV)

Siqueira Campos: Homenagem a um herói brasileiro


Siqueira Campos, com base nos relatos de Glauco Carneiro, jornalista e historiador das revoluções do Brasil Republicano, o tenente Antonio de Siqueira Campos realizou suas principais ações durante a incansável luta por um Brasil melhor, mais justo e onde todos tivessem vez e voz.

No Museu Histórico de Siqueira Campos, estão expostos alguns de seus pertences, além de fotos e um livro que conta toda a sua trajetória. Nas informações concedidas por Maria da Graça Montanha César, coordenador do Museu Histórico, Antonio de Siqueira Campos era chamado pela família por Tony e apesar de ser uma pessoa simples, usou sua inteligência e potencial em prol da nação, abraçando a causa do povo humilhado e injustiçado.

Nascido em Rio Claro, Estado de São Paulo, em 18 de maio de 1898, Siqueira Campos entrou para a história em um dos períodos mais críticos do Brasil. Em 1º de março de 1922, Artur Bernardes foi eleito presidente da república, mas o Clube Militar sugeriu a organização de um Tribunal de Honra, com capacidade para decidir sobre a validade das eleições, por considerar que o novo presidente havia sido eleito por pessoas que estavam dominadas ideologicamente e que alguns chegaram a votar em troca de um par de sapatos ou caixas de remédios.

Porém, apesar de todo esse movimento, o próprio presidente eleito e o Congresso se opuseram a idéia. Para muitos homens que queriam um país mais justo e honrado, como Antonio de Siqueira Campos, esse fato tornou intenso o seu espírito revolucionário. Ele que havia cursado a Escola Prática do Exército em 1915 escolheu como arma a artilharia, sendo promovido como 2º tenente após o desligamento do Realengo e no dia 5 de janeiro de 1921 passou a ocupar a patente de 1º tenente, trabalhando na legalidade exatos sete anos, oito meses e 18 dias.

Antonio de Siqueira Campos participou de várias revoluções, entre elas a Revolta do Forte de Copacabana em 1922, Levante de São Borja em 1924, Coluna Prestes de 1924 a 1927 e a Conspiração da Revolução de 1930. Durante toda a sua vida, Siqueira Campos permaneceu solteiro, talvez devido ao seu trabalho dedicado no Exército e as grandes responsabilidades que havia assumido nos postos que veio a ocupar,

O final de sua vida foi marcado pela tragédia. Ao saber que Luís Carlos Prestes lançaria um manifesto comunista, Siqueira Campos viajou até Buenos Aires, na Argentina, onde tentou convencer o chefe a mandar a idéia para não dividir os esforços revolucionários. Na viagem de volta, realizada na madrugada de 10 de maio de 1930, o avião que o trazia de volta ao Brasil, caiu no Rio da Prata, quase em frente a Montevidéu, no Uruguai. De acordo com os registros históricos, Siqueira Campos, enquanto nadava para a terra, sofreu um ataque cardíaco e pereceu antes de mesmo de afundar. Seu corpo está sepultado no Cemitério da Consolação em São Paulo.

Uma aventura do tenente Antônio de Siqueira Campos

Narram os historiadores que houve um fato marcante na saída dos soldados do Brasil. Chegando a margem brasileira do rio Uruguai não existia qualquer embarcação para a travessia. A largura do rio era de quilômetros e poucos saberiam nadar. Siqueira campos estava disposto a salvar sua tropa a todo custo. Atravessou sozinho o rio com um pneumático amarrado ao peito e foi buscar embarcação na margem Argentina. Após duas horas e meia trouxe uma chalana com a qual fez várias viagens, até que todos os homens alcançaram a margem portenha.Com um efetivo de 1.200 homens foi arquitetada a marcha da coluna preste que atravessaria o Brasil de norte a sul. Durante todo o tempo em que a coluna preste marchou pelo Brasil, Siqueira campos sempre foi o mesmo homem, estando o seu nome ligado a todos os momentos críticos porque passou a divisão revolucionária. Não houve incumbência que se lhe tocasse, que não tivesse o mesmo desempenho cabal, o seu completo cumprimento. Depois de dois anos peregrinação quase sobre humana, através de rios e montanhas, de sertões bravios, de pantanais e de desertos, encerra-se assim deliberadas e voluntariamente a grande marcha, indo os revolucionários refugiarem –se no exterior. No exílio sua principal preocupação é a conspiração. Assunção, Buenos Aires, montevidéu, libres, rio de janeiro, Curitiba, são Paulo e portos alegres foram às escalas do grande lideres no período de março de 1927 ao inicio de 1928. Siqueira campos sentia que era preciso voltar ao Brasil, enfrentar a policia e recomeçar a conspiração com gente nova. A vida pra os revolucionários em Buenos Aires estava longe de ser fácil. A falta de recursos os atormentava. Nos primeiros dias de 1928 Siqueira campo disfarçado, regressou ao Brasil, na capital federal. Cuidava-se para não ser descoberto pela policia. Peregrinava pelas principais capitais organizando a grande conspiração, quando veio a saber, em 1.930que seu companheiro, dês de os bancos escolares, Luis Carlos prestes exilado em Buenos Aires, iria lançar a nação um manifesto comunista. Era um fato que Siqueira campos não esperava. Determinado viajou ate Buenos Aires para encontrar-se com prestes. Durante o encontro, prestes declarou-se contra o movimento que seus companheiros organizavam e afirmou que se convertera ao credo comunista. Siqueira campos e outros companheiros concluíram que prestes estava fanático e que o melhor a fazer era neutralizar a ação dele, retardar seu pronunciamento comunista ate que tivesse tempo de desencadear a luta. Siqueira campos valendo-se da antiga amizade, pediu e obteve de prestes o prazo de um mês para que fosse tentada a revolução no Brasil. E ele concordou certo do insucesso dos revolucionários. Ao final do tempo estipulado ele teria o direito de erguer a bandeira da revolução vermelha. Siqueira campos dirige-se a sede dos correios e lá encontrar uma carta escrita por uma amiga brasileira. Na carta ela questionava a Siqueira campos se valeria a pena todos aqueles esforços que ele vinha desenvolvendo pela revolução, sem encontrar por partes dos brasileiros, o mínimo de reconhecimento, para não falar em apoio. Ele sorriu ao escrever ali mesmo resposta e acrescenta: “A pátria tudo se deve dar e nada pedir, nem mesmo a compreensão”. Aproveitou e despachou o telegrama ao Brasil pedindo que os companheiros o esperassem armados no aeroporto para iniciar a revolução. Juntamente com três companheiros revolucionários que estavam presentes no encontro com prestes, combinou manter a conversa em segredo. A despedida entre ele e prestes foi longa e comovente, pois sabiam que uma brasileira erguia-se entre os dois. A 01h55min horas do dia 10 de maio em meio a muita chuva Siqueira Campos e João Alberto embarcaram no avião lote 28 com capacidade para cinco passageiros, planejado seu piloto descer em montevidéu as 03h00minhoras para reabastecer; a fim de prosseguir viagem a porto alegre, são Paulo e rio de janeiro. Por volta das 03h30min horas os viajantes foram despertados por um forte choque. O avião cai na água gelada do rio da prata. Por problemas devido à forte diferença de pressão atmosférica o avião perdeu altura gradualmente ate cair na água. Esse foi o laudo final sobre o acidente. Dos cinco só Siqueira campos nadava bem. Só havia um salva-vida no avião. Os três passageiros inclusive o piloto dão adeus e jogam-se na água. Restam Siqueira campos e João Alberto, dos brasileiros revolucionários. Siqueira campos joga o salva-vida para João Alberto e juntos começam a nadar. Nadam, nadam... João Alberto adianta-se alguns metros e de repente ouve um chamado e volta-se para ver. Só tem tempo de ver amigo, o bravo de Copacabana erguer fracamente a mão um gesto de despedida e desaparecer. Em santos, os amigos esperam. O avião atrasa. A noticia vem e de repente a angustia ensombra a face e tritura o coração... Antonio Siqueira campos esta morto! O seu corpo só foi encontrado após muitas buscas em 18 de maio em campos Del platero, já em decomposição. A policia brasileira sabendo da morte, assim que conseguiu resgatar o corpo da água, encaminhou-o para uma família no próprio Uruguai, como se fosse um cadáver da família. Alberto Gáscue, médico uruguaio amigo de Siqueira campos ao tomar conhecimento do desconhecido cadáver encontrado na praia, em campos Del platero, não teve duvida. Enviou todos os esforços usando de sua influencia ate chegar ao local onde a família guardava o corpo. Conseguiu autorização para autopsiar, mas a policia proibia de ver o corpo. Alberto distraindo a vigilância para conseguir embalsamar o corpo, a fim de levá-lo a montevidéu, onde completaria o embasamento. Na capital Uruguaia os restos de Siqueira campos foram expostos no Clube Brasileiro, onde centenas de pessoas de todas as classes sociais desfilaram ate o caixão. Mas o repatriamento de Siqueira campos estava difícil, mesmo morto ele era uma ameaça para as autoridades brasileiras. Os quais por sua vês proibiram o acesso aos portos nacionais e a ordem era rejeitar o transporte do cadáver. Somente em 24 de maio de 1930, que o corpo saiu de montevidéu, transportado num navio. E a três de junho chegou ao porto do rio de janeiro, onde, havia uma multidão a esperá-lo. Do Rio de janeiro, o cortejo seguiu para são Paulo, no dia seguinte. Sob um sol inclemente da tarde de seis de junho de 1930, em são Paulo o cortejo chegou ao cemitério da consolação. O caixão foi colocado no mausoléu da família Siqueira campos. Por onde passava o cortejo tanto no Rio de janeiro como em São Paulo, o corpo de Siqueira Campos obteve reverências da população. As 15 horas, tudo se encerrou. Lentamente os amigos, os familiares, os populares, os policiais disfarçados, foram saindo. O Pai de Siqueira Campos proferiu as últimas palavras “Tony... meu filho, a Pátria ganhou mais um herói, mas eu perdi você. Descansa em paz.... meu filho... Aqui, aqueles secretas que nos rodeavam a casa para matá-lo, não mais voltaram-te a incomodar ... esta multidão saberia defender o seu amigo ... e ate foi bom que o mar tivesse tragado você, que assim morreu nas mãos deles... já ninguém mais poderá fazer mal a você,meu filho, que era puro como um santo...”. pelo decreto nº 323 de 05 de novembro de 1.930, do interventor do Estado do Paraná General Mário Tourinho, o nome da Colônia Mineira mandou para Siqueira Campos. Isto em homenagem ao bravo Militar, Tenente Antonio de Siqueira campos. O heróico sobrevivente do Levante dos 18 do Forte de Copacabana.

FONTE: RESUMO DA VIDA DE ANTÔNIO DE SIQUEIRA CAMPOS
Trabalho elaborado por Leocimara Laura de Faria Azevedo - Ano 2.000
Fornecido à reportagem pelo Museu Histórico de Siqueira Campos

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