27/08/2008

Rio Claro em outras plagas

Um pouco de Rioclarenses que se destacaram em outras cidades
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João Sampaio



Nasceu em Rio Claro em 1877, transferindo- se para Piracicaba aos 5 anos. Formou-se em Direito, em São Paulo, em 1897, e, no ano seguinte, abriu sua banca em Piracicaba.
Em Piracicaba foi delegado de polícia quando a função não tinha qualquer remuneração. Distinguiu- se no Tribunal do Júri, foi juiz de paz, redator do jornal "A Gazeta de Piracicaba", inspetor municipal de ensino. Casado com Adelaide de Moraes Barros, filha de Prudente de Moraes, dedicou- se também à política, tendo sido eleito, pela primeira vez, em 1907, como deputado, sendo reeleito em várias outras legislaturas.
A ele a Piracicaba deve a criação de várias escolas na região, tendo, ainda, como deputado, apresentado os projetos que viabilizaram a criação do curso de engenharia elétrica na Escola Politécnica, a reforma do sistema de eleições municipais, a instituição de aposentadoria dos ministros do Tribunal de Justiça.
Em 1912, foi eleito professor catedrático de Direito Civil na Faculdade do Largo São Francisco. Foi um dos fundadores da cidade de Londrina, Paraná.
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LENIRA FRACCAROLI

Lenira de Arruda Camargo Fraccaroli nasceu em Rio Claro no dia 21 de abril de 1906. Filha de pai delegado de polícia e de mãe dona de casa, participou da Revolução Constitucionalista de 1932 e em 1933 iniciou suas atividades educacionais como professora na Escola Primária Caetano de Campos. Neste mesmo ano prestou serviços na formação e organização da Biblioteca Escolar desta mesma instituição. Em 1935 ministrou aulas de Biblioteconomia a Inspetores, Diretores e Professores de Curso de Férias instituído pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.
Ainda em 1935 foi convidada pelo então Diretor do Departamento de Cultura de São Paulo Mario de Andrade, para organizar a primeira Biblioteca Infantil do Estado de São Paulo, hoje a Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, localizada na capital paulista. Permaneceu dirigindo as atividades desta biblioteca até 1961. Em 1947 a Lenira criou a seção de Braille na Biblioteca, cabendo até uma citação desta implantação no Diário Oficial de São Paulo. Já em 1950, a Biblioteca Infantil “Monteiro Lobato” do Estado da Bahia, que foi organizada nos moldes da Biblioteca Infantil de São Paulo, concede uma homenagem a Lenira dando o seu nome a uma das salas daquela biblioteca.
Sempre engajada na melhoria dos serviços prestados pela biblioteca que dirigia, a Lenira Fraccaroli fez construir, em 1952, o 1º Teatro Infantil do Mundo, o “Leopoldo Fróes”, localizado nas dependências da Biblioteca Infantil. Em 1953, a pedido do então prefeito de São Paulo Jânio Quadros, Lenira se reuniu com as autoridades da Secretaria da Cultura e com o próprio prefeito para analisar as condições de diferentes órgãos municipais. No encontro Jânio declara a Lenira que a Biblioteca Infantil “é a única repartição decente” do município.
Em 1956 Lenira, organizaria e colocaria em funcionamento, as primeiras bibliotecas infantis de São Paulo em prédio próprio, situadas em regiões como Freguesia do Ó, Mooca, Vila Maria, Vila Prudente, Pinheiros. Devido as sua bela fama constituída junto à sociedade paulistana, Lenira recebe neste mesmo ano um convite do Governo Americano para uma visita, onde conheceu também o Canadá e as bibliotecas infantis das cidades de Montreal, Toronto e Quebec.
Esteve presente em vários congressos promovidos pela UNESCO afim de contribuir para a melhorias nos parâmetros e pareceres sobre as bibliotecas infantis, além de ser representante da Prefeitura de São Paulo em diversos encontros internacionais realizados em paises da Europa como Espanha e Itália. Sempre com o intuito de conhecer as bibliotecas infantis, viajou por paises como Portugal, Inglaterra, França, Alemanha, Argentina além dos Estados Unidos e Canadá.
No Brasil contribuiu com a sua experiência na implantação e planejamento de diversas bibliotecas infantis de vários estados como Bahia e Paraná e em cidades como Campinas e Campos do Jordão.
No alto de sua aposentadoria em 1961, Lenira Fraccaroli recebe uma significativa homenagem de autoridades, escritores, ex-leitores e leitores das bibliotecas infantis com o título de Sócia Benemérita da Associação Paulista de Bibliotecários tendo sido ainda saudada pelo poeta Paulo Bomfim e os escritores Vivente Guimarães e Tales de Andrade. Além disso, neste mesmo ano, os então vereadores Dr. Mantelli Jr. e Prof. Valério Giulli encaminharam um requerimento à Câmara Municipal de São Paulo, solicitando a inclusão em seus anais de um voto de louvor pela sua atuação como funcionária na Direção da Divisão de Bibliotecas Infantis, tendo esta solicitação sido atendida por unanimidade. A partir de sua aposentadoria, Lenira vinha colaborando com o governo brasileiro e entidades interessadas na organização de bibliotecas infantis sem nenhum interesse financeiro. Na época de sua aposentadoria Lenira havia deixado em funcionamento na capital paulista vinte bibliotecas infantis.
Foi ainda homenageada em programas dos canais de televisão 4 e 9. Em 1971 Lenira, então presidente de um grupo de escritores e bibliotecários, organiza em colaboração com uma firma de propaganda e diretores de um grande supermercado, uma “tarde de autógrafos” e “hora do conto” oferecido às crianças que iam com seus pais às compras, sendo a primeira a realizar este tipo de empreendimento no Brasil. Em 1978 criou a Academia Brasileira de Literatura Infanto-Juvenil.
Lenira Fraccaroli destaca-se pela sua determinação e prol da educação e viabilização da cultura à sociedade, atendendo principalmente às crianças com a organização das bibliotecas infantis. Por isso recebeu diversas homenagens tendo sido reconhecida ainda com o Prêmio Nobel da Literatura “Gabriela Mistral” pelo seu desempenho e por autoridades da época como Afrânio Peixoto, Roberto Simonsen, Monteiro Lobato. Não obstante o reconhecimento das autoridades e da mídia, que a citavam em diversas matérias jornalísticas, Lenira era apoiada por inúmeras crianças de todo o pais que enviavam cartas parabenizando-a pelos projetos desenvolvidos e organização das bibliotecas infantis ao redor do Brasil. Já em 1987, Lenira é homenageada como Cidadã Paulistana pela Câmara Municipal de São Paulo por aclamação.
Em 1991, Lenira Fraccaroli falece aos 85 anos, deixando vivo um ideal a ser seguido de serviço à cultura brasileira.“Nada se faz sem o livro. Até o vídeo texto busca nos livros orientação para a sua sobrevivência. Faça do livro o seu presente, a sua mensagem, o desejo de conhecer a magia do universo. Passei a minha vida preocupara com as crianças e, devo dizer que sou muito feliz nestas recordações que trago com humildade para uma noite de encanto e ternura. Vivi no “Paraíso das Crianças”, expressão que recolhi da revista francesa “Courier”, utilizada por um articulista.
Nesse “Paraíso das Crianças” depositei toda a minha esperança de um Brasil feliz.” (Lenira Fraccaroli)
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Dr. Elias Fausto Pacheco Jordão

Busto de Elias Fausto "Fundador do Guaurjá". Fundou em Guarujá, SP, um núcleo situado na Praia de Pitangueiras, trazendo 46 chalés de madeira da Geórgia, Estados Unidos, e instalou um hotel com 50 quartos, um cassino e uma igreja.

Dr. Elias Fausto Pacheco Jordão. Nasceu em Rio Claro, SP, na fazenda do Biry, em 18/02/1849. Engenheiro pela Universidade de Cornell, Ithaca, EUA, diplomado em 1874 (primeiro brasileiro a se formar em engenharia civil nos EUA). Planejou e construiu o Balneário de Santo Amaro no Guarujá, importou um hotel completo com 50 quartos, um cassino, uma igreja e 46 casas feitas de pinho da Geórgia. Fundou a Cia. de Turja, para explorar combustíveis; a Cia. Ipiranga Tramways e Construções, para promover melhoramentos no bairro do Ipiranga. Fundou com seu primo, o conselheiro Antonio da Silva Prado, em 1895 a Vidraria Santa Marina. Fez parte da diretoria da Cia. Paulista de Vias Férreas e Fluviais e da Cia. Prado Chaves Exportadora. Foi também deputado federal, tendo prestado os mais assinalados serviços ao presidente da República, o eminente paulista, Dr. Manuel Ferraz de Campos Sales, como representante de seu pensamento e do governo, na tarefa de reorganizar as finanças nacionais. Em 1890, o município de Elias Fausto no estado de São Paulo, recebeu seu nome como homenagem a esse político, engenheiro e superintendente da Sorocabana Railway Company. Casou a 30/05/1877 em Itu, com sua prima Anna Carolina Pacheco Jordão, filha do cel. Francisco de Assis Pacheco. Faleceu a 26/03/1901 em Paris.
Dr. Elias Fausto Pacheco Jordão na Hitória de Guarujá
Após o Descobrimento do Brasil, nossa terra ficou abandonada pois a verdadeira intenção das naus que aqui chegaram era descobrir um novo caminho pra as Índias. Devido ao abandono franceses e ingleses exploravam o Pau-Brasil livremente, o que fez com que o rei de Portugal mandasse expedições para guardar a costa brasileira. Como não obteve sucesso coma guarda ele mandou uma expedição colonizadora. E aí então, no século XVI, mais exatamente em 1502 que começa a história do Guarujá, até então conhecida como Ilha de Santo Amaro.
Em 22 de janeiro de 1502, sob o comando de André Gonçalves e Américo Vespúcio, uma armada ancorou na costa ocidental da Ilha de Guaibê (Santo Amaro) próxima à Praia de Santa Cruz dos Navegantes.
A Ilha de Santo Amaro (até então conhecida como Guaíbe ou Guaibê) foi doada pelo Rei D. João III em 1534 a Pero Lopes de Souza para que este providenciasse a colonização.
A ocupação da ilha por jesuítas, para catequese de índios, se deu a partir da construção da Capela de Santo Amaro. Vários fortes e fortalezas foram construídas para defesa do litoral.
A ilha de Santo Amaro era utilizada, até meados do século XIX, como esconderijo de negros contrabandeados.
Com o objetivo de fundar a Vila Balneária de Guarujá, a Companhia Prado Chaves instalou, em 1892, a Companhia Balneária da Ilha de Santo Amaro. Uma estrada de ferro ligava o Estuário de Santos à nova Vila. O transporte de passageiros era feito da estação da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí ao atracadouro do Balneário, em Itapema, por duas barcas.
Em 2 de setembro de 1893, o Dr. Elias Fausto Pacheco Jordão fundou a Vila.
Guarujá foi integrado ao município de Santos em 1931 ficando assim até 1934, quando o governador Armando Salles de Oliveira criou a Estância Balneária de Guarujá.
Em 1953 a antiga Vila tornou-se distrito e recebeu o nome de Vicente de Carvalho, em homenagem ao poeta santista.
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PADRE VICENTE MARQUES (1914-1997)

Padre Vicente Ramalho Marques de Freitas

Vicente Ramalho Marques de Freitas nasceu em Rio Claro-SP aos 05 de abril de 1914. Entrou em Rio Claro-SP aos 18 de dezembro 1929 e foi ordenado sacerdote em Ribeirão Preto-SP aos 07 de dezembro de 1941.
Exerceu o ministério em Campinas-SP, Ituiutaba-MG, Casa Branca-SP, Marília- SP, e Rio de Janeiro-RJ (paróquia de Santa Edwiges). Foi sempre um padre à disposição do Provincial para substituir quem precisasse. Substituiu estigmatinos e diocesanos. Como ele mesmo afirmou, sua vida "foi um verdadeiro tico-tico no fubá".
Sempre alegre, tranquilo, procurou agradar a todos com presentes singelos. Gostava de um bom vinho, de uma cerveja espumando ao natural, de um forte licor, enfim de tudo que animasse o corpo. Sempre, porém, manteve a compostura e a serenidade.
Seu prazer era visitar famílias e amigos, principalmente onde houvesse alguém doente; nestas ocasiões nunca deixava de trazer algo para a comunidade. Apreciava escrever cartas.
Nas primeiras comunhões que celebrava, mandava uma carta ao Papa em nome das crianças. Nas festas principais da Congregação enviava folhetos aos confrades com estilo empolado e conteúdo pomposo, que, todavia, demonstravam sua devoção e amor à Congregação. Ninguém lhe respondia, mas ele não desanimava e aguardava a próxima festa. Dedicou-se com amor aos coroinhas e preparava com grande carinho as primeiras comunhões.
Priorizou a celebração da eucaristia na qualidade e na quantidade. Havia dias, em final de ano, que chegava a celebrar quatro ou cinco missas. Jamais usava a palavra não a um pároco para a celebração da missa.
Devoto da Sagrada Face, celebrou na igreja de são Benedito, em Campinas, todas as terças-feiras, uma missa penitencial, que geralmente chegava aos 90 minutos.
Gozou sempre de boa saúde. Nunca foi visto acamado por doença. Em 1997 começou a queixar-se de cansaço e não mais saiu de casa. Quando sentiu que deveria renunciar à celebração eucarística, saiu com esta nota: "Já que não posso mais celebrar, não convém mais viver". A missa foi sempre o sentido de sua vida, a razão do seu sacerdócio. Não conseguiu ser o missionário que queria, mas foi o missionário do dia a dia.
Definhou rapidamente em virtude de câncer generalizado. Comungou e brincou até a véspera de sua morte.
Se pudesse determinar o dia de sua volta ao Pai seria 12 de junho. Pois, então, na madrugada do dia de São Gaspar, em 1997, ele voltou para a casa do Pai.
Foi sepultado em Campinas no jazigo da Província Santa Cruz.
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Ir. PEDRO BIANCONI

Nasceu em Rio Claro - SP aos 29.06.1912. Emtou para a Congregação na casa de formação de Rio Claro aos 18.01.1932. Iniciou o noviciado aos 14.09.1932 e professou aos 1.5.09.1933. Fez a profissão perpétua aos 15.09.1939 em Rio Claro - SP.
Antes de entrar para a Congregação freqüentava a Congregação Mariana da paróquia de Santa Cruz, onde era catequista na zona rural. Entrou nos tempos difíceis em que o trabalho era intenso e poucos os irmãos. Foi sacristão, catequista, cozinheiro, porteiro, sapateiro, administrador da Fazenda Santana, responsável pelos irmãos no Santuário do Desterro, em Casa Branca - SP.
Adaptou-se com simplicidade às freqüentes mudanças de casa, quase todos os anos. Sempre sereno, calmo, sorridente.
Trabalhou em Rio Claro - SP, Uberaba - MG, Casa Branca - SP, Santa Cruz. das Palmeiras - SP , Ituiutaba - MG e Campinas - SP.
Gostava da juventude e por onde passou foi sempre muito querido por ela. Desenvolvia também grande trabalho com as pessoas simples, visitando, ajudando, consolando, principalmente depois que ficou Ministro Extraordinário da Eucaristia. Basta lembrar que em Campinas, seu último campo de trabalho, no bairro onde trabalhou (Jardim Pacaembu) há uma rua com o seu nome.
Era de caráter delicado. Seu modo de tratar era afável, respeitoso, capaz de ganhar imediatamente a confiança e a simpatia. Sua palavra calma e suave atingia profundamente o coração das pessoas, transmitindo conforto e segurança. Tudo isso era não só dom natural, mas efeito de sua profunda vida espiritual. Amava a oração e lhe era fidelíssimo na comunidade. Devoto de Nossa Senhora.
A morte chegou repentina, mas não inesperada. Foram detectados problemas no coração. Era o dia 22 de agosto de 1972, na Casa de Saúde de Campinas.
Do seu funeral, oficiado por 13 confrades concelebrantes, participou grande número de gente comovida. Ouviam-se expressões como "obrigado, Ir. Pedro, o senhor salvou meu filho transviado, ...o senhor trouxe paz para minha família, ...o senhor converteu meu pai, ...o senhor encaminhou meu filho para o sacerdócio, para a vida religiosa".
Este foi o grande epitáfio de Ir. Pedro que está sepultado no cemitério da Saudade, em Campinas.
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Professora Zulmira da Silva Salles

A professora Zulmira da Silva Salles nasceu em Rio Claro (SP), no dia 3 de março de 1903. Fez o curso primário, com distinção, no Grupo Escolar Prudente de Morais, na Capital, e cursou a Escola Normal Secundária da Praça da República, onde se formou em 1918. Ingressou no magistério primário, em 1920, na cidade de Itu. Conheceu Arquimedes Salles, de tradicional família rio-pretense, durante uma apresentação teatral realizada no cinema de Pirangi, da qual participavam como atores. O casamento se realizou no dia 8 de janeiro de 1923, em Taiúva, região de Jaboticabal. Residiu em Pirangi, em 1925, e no ano seguinte transferiu-se para Rio Preto, onde lecionou até 1935, no então Primeiro Grupo Escolar, mais tarde denominado Cardeal Leme. Simultaneamente, lecionou no Ginásio São Joaquim, existente na cidade. Em junho de 1936, removeu-se para São Paulo, permanecendo na Capital até 1938.
De regresso a Rio Preto, lecionou como comissionada no então Segundo Grupo Escolar Professor Ezequiel Ramos, no Bairro Boa Vista. A partir de 1951, serviu na Delegacia de Ensino Básico, até se aposentar. Lecionou Geografia e História da Civilização na Faculdade de Comércio D. Pedro Segundo, integrando seu corpo docente desde 1939. Ao ser criado o Ateneu Riopretano, em 1941, lecionou desenho, geografia, música e canto. Posteriormente, com a criação da Escola Normal D. Pedro II, assumiu as disciplinas de música e canto. Lecionou também no Instituto de Educação Monsenhor Gonçalves e no Ginásio São Luiz, recém-inaugurado. Continuou lecionando até 1958. Dedicou toda sua vida a ensinar jovens e crianças. Destacava-se pelo gosto à música, tendo composto várias, dentre elas, uma gravada pelo violinista José Rasteli. Com o esposo Arquimedes Salles e vários amigos participava de serenatas. Nas festas em família, todos os membros se reuniam para tocar, formando um conjunto composto por Zulmira, pianista; Arquimedes, flautista; e os filhos - na bateria, Daniel; Delmo no violão; Douglas no violino. Ao piano, Edmar e Dea se revezavam com a mãe.
Outra particularidade era o seu gosto pela participação em comícios políticos, seja como oradora, seja escrevendo discursos para os candidatos. Muitos de seus ex-alunos ocuparam posição de destaque no cenário político, religioso e social de Rio Preto. Dentre outros: Dom José Joaquim Gonçalves, bispo - auxiliar de Vitória; Dr. Nelson Seixas, médico e ex-deputado federal; Dr. José Jorge Cury, advogado e ex-deputado estadual; Dr. João Mangini, advogado e ex-vereador; e Dr. Jorge Khauan, advogado e secretário da Câmara de Vereadores de Rio Preto. Zulmira faleceu em 27 de novembro de 1959. O projeto do deputado José Jorge Cury, transformado em lei estadual de 16 de novembro de 1965, deu seu nome ao Grupo Escolar do Bairro Jardim Urano, de Rio Preto. Em homenagem, uma das ruas do Parque Industrial da cidade leva também o seu nome.

Antigo prédio da escola de primeiro grau Professora Zulmira Salles no Bairro Jardim Urano, em Rio Preto

Fachada da escola Zulmira Salles em 1973
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João Dutra

Sóbrio, professor, João Dutra conseguiu todos os prêmios em salões de que participou.
JOÃO DUTRA, filho de Joaquim Miguel e Malvina de Almeida Dutra.

João nasceu em Rio Claro, em 14 de junho de 1893. Mas viveu infância e juventude em Piracicaba, onde se formou, em 1911, professor normalista pela então Escola Normal Oficial. Sua vida foi dedicada ao magistério, notabilizando-se como professor emérito de Desenho. Lecionou em Itirapina e Casa Banca, afastando-se do magistério de 1923 a 1930. Voltou, nesse ano, a lecionar em Tatuí, depois em Campinas e, em 1937, foi removido para o IE. "Sud Mennucci", em Piracicaba, onde se aposentou, em 1956, após 37 anos de serviço ao Estado.
O artista João Dutra teve seus primeiros aprendizados artísticos com o próprio pai, Joaquim Miguel Dutra e, depois, com o irmão Alípio. Era considerado o mais humilde dos irmãos Dutra e, talvez por isso mesmo, a sua pintura era original, com características muito próprias, de colorido notável. Pintou especialmente paisagens e naturezas mortas e foi considerado um mestre nessa arte. Seus críticos o admiravam pelo que diziam ser o grande segredo de sua arte: "a sobriedade e o domínio completo da luz."
Exposições e prêmios:
João Dutra expôs, pela primeira vez, em fevereiro de 1919, na redação da revista ''A Vida Moderna", local que agregava artistas e intelectuais. Em seguida, voltou a a expor em 1921 nas dependências da famosa "Casa Byinton", em 1923, na "Casa Sotero". Em 1935, participou da grande exposição dos quatro irmãos Dutra - Alípio, Pádua, Archimedes e ele próprio - no "Palácio das Arcadas", em São Paulo. De 1923 a 1930, organizou exposições em cidades como Campinas, Santos, Ribeirão Preto, Araraquara, etc. Foi oficialmente convidado para expor na "Bernhein Jeune", de Paris, uma das mais famosas galerias de arte do mundo.
No "Salão Paulista de Belas Artes", João Dutra recebeu todas as medalhas e prêmios, inclusive a Grande Medalha de Ouro em 1974 e a Medalha de Honra1978. Foi premiado diversas vezes no Salão Nacional de Belas Artes e obteve medalhas de uro e prata de todos os salões de que participou. Foi agraciado com a Medalha da Revolução Constitucionalista de 1932, e com a Medalha Anchieta, da Prefeitura de São Paulo
João Dutra faleceu poucos meses após ter completado 90 anos, num dia de Natal, dia 25 de dezembro de 1983.
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Um comentário:

Dione vitti Barreto disse...

Olá mancuso, tudo bem? Eu não entendo muito sobre blog, mas, achei maravilhoso seus comentários e sua dedicação com essas pessoas que foram tão importantes pra nossa cidade!Eu amo minha cidade, consequentemente amo as pessoas que colaboram com ela, e vc é uma delas!